•▄▀• POSTAGENS MAIS RECENTES

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Bicho não é brinquedo

Do site da Revista Vida Simples da Editora Abril, edição de julho de 2005. Uma reportagem simplesmente *ex-ce-len-te*.

Animais de estimação nos dão amor incondicional, melhoram nosso estado de espírito e até nossa saúde. Nada mais justo que retribuir essa felicidade.

Há um ano, mais ou menos, decidi experimentar a vida fora de São Paulo e empacotei minha casa rumo ao Nordeste. Num caminhão, foi a mudança. De avião, seguimos eu, minha mala e mais duas caixas de transporte contendo 12 quilos de gato – o peso que meus dois felinos vira-latas, a Cuca e o Chicó, representaram para a companhia aérea. Muita gente achou graça da minha excentricidade: “Você vai levar os gatos?!?”, surpreendiam-se. Ora, era evi-den-te que eu ia. Jamais me ocorreu outra hipótese. Por mais trabalho que tenha dado (a burocracia exigida para levar um bicho a bordo é um teste de paciência), os dois são parte da minha família. O vínculo, a alegria de poder compartilhar com eles meu dia-a-dia e o aprendizado que resulta desse compromisso valem mil vezes o esforço. Sabe a célebre frase de O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”? É exatamente isso. Ou pelo menos deveria ser.

“Infelizmente,muitas pessoas que se encantam com um filhote numa loja de animais não se dão conta de que levar um bicho para casa significa assumir um contrato de fidelidade que pode durar muitos anos, o tempo de vida do bicho”, afirma Marco Ciampi, presidente da Arca Brasil, uma das primeiras ONGs brasileiras a difundir o conceito de posse responsável, um conjunto de atitudes que visam a ética, o respeito e o bem-estar animal. Está lá, na Declaração Universal dos Direitos dos Animais – é, eles têm uma, proclamada pela Unesco, em 1978: “O animal que o homem escolher como companheiro nunca deverá ser abandonado”. Mesmo assim, só no Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, cerca de 60 cães e gatos (muitos, inclusive, de raça) são despejados por dia pessoalmente por seus donos. Os motivos para o abandono variam de explicações como “ah, ele não sabe se comportar”, até “ela está velha demais” ou “ficou grande demais para meu apartamento”.

Certamente você já ouviu falar de que ter um bicho faz bem ao humor e até à saúde. Nos últimos anos, dezenas de pesquisas se empenharam em mostrar o poder da amizade com animais sobre problemas como hipertensão, depressão e até sobre a qualidade de vida de doentes crônicos. Mas será que nós, humanos, sabemos fazer bem ao humor e à saúde de nossos bichos? Hummmm… Nem sempre. Mesmo que você não seja tão frio para abandoná-lo à própria sorte e esteja cheio de boas intenções. “As pessoas, em geral, são bastante sensíveis à causa dos animais”, comenta Ciampi. “O problema é que, na mesma medida em que há simpatia, há desinformação.” Bichos têm, sim, emoções como alegria, tristeza e medo, mas mostram isso de uma maneira que nem sempre a gente entende. Esforçar-se para compreender o universo dos outros seres vivos que convivem conosco e tratá-los com respeito e responsabilidade é condição essencial para viver de forma ética e em equilíbrio.

Conheça a seguir quais são os erros mais comuns que cometemos com a bicharada e tire ainda mais prazer e alegria dessa relação.

Bicho para quê?

Essa é a primeira pergunta que todo mundo deveria se fazer antes de comprar ou adotar um mascote. Se a resposta for “para convivência e amizade”, bingo! Cães e gatos são grandes companheiros, que precisam e gostam do contato próximo com seus donos. Mas há duas respostas erradas bastante freqüentes. A primeira delas: “Porque as crianças querem”. Adotar um animal deve ser uma decisão de toda a família, e os pais precisam estar conscientes de que, por mais que os filhos prometam cuidar dele, vai, sim, sobrar trabalho para os adultos. (Na prática, todo o trabalho sobra para os pais e/ou para a diarista, afinal os filhos têm mil outras prioridades: escola, inglês, cursinho, natação, judô, balé, brincadeiras, estudos, namoros, vestibular, internet, balada... Sempre pinta uma desculpa para deixar o bicho de lado e aí a responsabilidade de educar, tratar e passear com o cachorro sobra para os adultos). Além disso, como não têm noção de que cães e gatos também sentem frio, fome, dor e tristeza, crianças com menos de 6 anos não são uma companhia segura, especialmente se ele for filhote.

Outra motivação equivocada é ter um animal “para proteção”. Confinar um cão no fundo do quintal e privá-lo do convívio da família imaginando que assim ele será mais bravo é um engano perigoso. “O correto é apostar na inteligência do animal, socializá-lo e adestrá-lo adequadamente (em obediência básica do tipo "senta", "deita", "fica" e "junto"), para que ele saiba distinguir quando deve ou não atacar”, afirma a veterinária Hannelore Fuchs, de São Paulo, especialista em comportamento animal. Em vez de dar um destino tão miserável a uma vida, que tal instalar equipamentos eletrônicos de segurança? Dá menos trabalho e sai muito mais barato (e mais seguro para todo mundo, porque um cão anti-social é um perigo para a própria família).

Sinal amarelo

No caso de cães e gatos, xixi fora do lugar, agressividade, hiperatividade, destruição de móveis e excesso de ruídos são algumas das principais causas de abandono – para espécies exóticas, como cobras e lagartos, é mais comum o bicho crescer além do que os donos imaginavam. É preciso saber, porém, que isso não ocorre por má intenção do animal. Bichos não possuem sentimentos humanos complexos como vingança, culpa ou ciúmes, afirma o psicólogo americano Marc Hauser, da Universidade de Harvard, autor do livro Wild Minds (em português, “mentes selvagens”, inédito no Brasil - na época da reportagem em 2005). Para eles, tudo é uma questão de medo, tédio, tristeza e atenção.

Em outras palavras: por trás de um cão, um gato ou um papagaio mal comportado, pode haver uma criação inadequada na infância, falta de atenção, excesso de energia para gastar ou simplesmente estresse. (Nenhum animal se torna bem educado da noite para o dia e sem muito empenho por parte da família. Ele não nasce sabendo e nem entende instruções fixadas na porta da geladeira! Todo cão passa pelas mesmas fases de amadurecimento que nós: infância, adolescência, idade adulta e velhice. Cada fase tem as suas características próprias. É natural para um filhote, por exemplo, fazer bagunça, roer coisas e errar o lugar do xixi! Se ninguém ensinar como é o certo, ele não tem como aprender sozinho!).

Mas tudo tem solução, dizem os especialistas, e o mais importante é encarar o distúrbio como um sintoma de algo a ser tratado. Se possível, com ajuda profissional (da Lord Cão, é claro! Hehe!). Bater no animal, além de ser um ato covarde, só fará com que ele se torne mais medroso e inseguro. Converse com seu veterinário. Muitas vezes, basta direcionar o comportamento para algo não destrutivo, como garantir ao seu amigo mais brincadeiras (assim como mais exercício e regras a serem seguidas).

Focinho de um…

Além dos traços físicos, cada raça possui características temperamentais e necessidades bastante distintas. (Escolher uma raça só pela beleza é um erro muito grande). E é preciso ver se elas se adaptam a você e ao seu estilo de vida, para não sofrer mais tarde. Levar para um apartamento cães de caça como um dachshund (o famoso salsichinha), que adora correr e cavocar a terra, ou deixar a maior parte do dia sozinhos um collie ou um terrier, que carecem de muita atenção e estimulação, é sinônimo de problema. “Informar-se sobre o animal antes de levá-lo para casa é uma forma de respeito a ele e o único meio de atender às suas necessidades básicas”, afirma a veterinária e etóloga Rubia Burnier. Há um tipo de bicho, porém, que não tem restrição e é quase unanimidade entre os especialistas. Sabe qual? O vira-lata. “Ele tem mais capacidade de se adaptar aos diversos ambientes, é o mais independente, o mais fácil de trabalhar e o mais fiel”, diz Rubia. Além disso, é o mais saudável geneticamente, pois não foi submetido aos sucessivos cruzamentos consangüíneos que os criadores fazem nas raças mais “puras”.

Bibelô da mamãe

Essa costuma surpreender muitos donos que se acham bonzinhos: viver com o bicho sempre no colo e mimá-lo como um bebê é péssimo para a saúde psicológica dele. “O animal desenvolve dependência do dono e sofre uma angústia profunda sempre que se separa dele”, diz Rubia. Quem passa o dia inteiro fora e, à noite, decide compensar dando atenção exclusiva, também erra: isso faz com que sua chegada fique supervalorizada, levando o bicho, muitas vezes, a passar o resto do dia plantado na porta esperando – o que, convenhamos, não é vida.

Se você gosta realmente de seu amigo, precisa ensiná-lo a ficar feliz também sozinho. Uma das melhores formas é dar-lhe o direito de viver com um companheiro (de preferência do sexo oposto, castrando ambos) da mesma espécie (pode ser um gato também, se o cachorro se der bem com felinos), criando dois animais (só não vale deixar ambos dependentes de você). Outra é acostumá-lo gradativamente a ser mais independente e fazer com que ele associe sua ausência com algo prazeroso, como uma caixa de brinquedos que o bicho acessa somente quando fica só.

Questão de limites

Permitir que o cão durma na sua cama ou suba no sofá é outra atitude para a qual os especialistas torcem o nariz. “Isso estimula o instinto de dominância do animal, o que pode levar a vários distúrbios de comportamento mais tarde”, afirma Rubia. O bicho deve poder circular pela casa, mas tem que saber que há regras a serem respeitadas, como, por exemplo, deitar-se somente em sua própria almofada, no chão. Não precisa ter pena. Os cães, por exemplo, são animais que vivem em matilha. Para eles, a hierarquia é fundamental. Eles ficam perdidos quando não entendem qual posição ocupam no grupo: se o lado dos dominantes ou o dos dominados – isso para não falar nos casos em que se convencem de que são os reis da casa e passam a redecorá-la ao gosto canino.

Educação vem do berço

Além de limites, cães, em especial, precisam de educação. A lógica é a mesma das crianças: ninguém se educa sozinho. As técnicas de treinamento, acredite, também seguem os princípios da psicologia infantil: reforçar os comportamentos positivos e nunca usar de violência. O trabalho de adestramento dura cerca de seis meses, deve ser feito por um profissional especializado (as meninas da Lord Cão!) e não se restringe a ensinar ao bicho truques engraçadinhos: ele aprende a se comportar diante de outras pessoas, a respeitar ordens, a conviver com estímulos como carro e barulho, entre outras habilidades fundamentais para a boa convivência. “É uma forma de se fazer entender pelo animal”, diz Rubia.

Prole sob controle

Castração. A palavra, sem dúvida, é horrível: lembra mutilação, censura, agressão. Talvez por isso, muitos donos tenham tanta resistência e pena de esterilizar seus animais. Grande engano, dizem os especialistas. “Esse é um dos principais atos da posse responsável”, afirma Hannelore. Só assim se podem evitar as crias indesejadas e a superpopulação de bichos abandonados, causa de um interminável ciclo de sofrimento e crueldade. Por mais que você consiga donos para uma ninhada, jamais poderá ter certeza de que eles, e seus futuros filhotes, serão bem tratados. “Para o animal, não há vantagem alguma em deixar que ele se reproduza”, explica Hannelore. Pelo contrário: a castração, uma cirurgia de recuperação rápida, diminui as chances de tumores nas fêmeas e de inflamação da próstata e testículos nos machos, além de acabar com vários comportamentos sexuais indesejados, como a agressividade, a vontade de fugir para cruzar ou a necessidade de demarcar território com urina (e fezes).

Se depois de ler tudo isso você passou a pensar duas vezes antes de trazer a companhia de um animal para a sua vida, ótimo: era essa a intenção. Significa que você acaba de ganhar um atestado de dono responsável – mesmo que, depois de refletir, tenha chegado à conclusão de que, por enquanto, o melhor para o seu caso seja curtir esporadicamente as estripulias do bicho de algum amigo. Quem resolve abrir o coração, no entanto, garante que vale a pena. E mais: descobre que, no fundo, nem dá tanto trabalho assim. Como diz o veterinário americano Marty Becker, autor do best-seller O Poder Curativo dos Bichos (Bertrand Brasil), estreitar o relacionamento com um animal não é algo que se faça apenas por ele, mas por você. “As pessoas com os vínculos mais profundos com seus bichos de estimação são as que obtêm os maiores benefícios para a saúde”, afirma. Diz aí: existe remédio ou tratamento mais divertido?

Dez mandamentos do bom dono

- Antes de adquirir um bicho, considere seu tempo médio de vida. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará do animal nas férias e feriados.

- Prefira animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.

- Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico necessário.

- Não deixe seu animal sair à rua sozinho e, quando passear com ele, use coleira. Isso evita problemas para ele, para você e para os outros. Em casa, no entanto, não mantenha o bicho acorrentado.

- Cuide da saúde do animal. Providencie local e alimentação adequados (não dê sobras de comida, que em geral não atendem às necessidades nutricionais do bicho). Não deixe água estagnada no pote, vacine, dê banho, escove e exercite-o. Quando estiver doente, leve ao veterinário.

- Zele também por sua saúde psicológica. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele. Não o castigue nem maltrate.

- Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.

- Ao sair na rua com seu cachorro, recolha a sujeira que ele fizer. Essa é uma regra básica de civilidade e higiene.

- Identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses de sua cidade.

- Evite crias indesejadas. Castre machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.

(Fonte: Arca Brasil, Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal)

PARA SABER MAIS

LIVROS
• O Poder Curativo dos Bichos, Marty Becker (Bertrand Brasil)
• Adestramento Inteligente, Alexandre Rossi (CMS)
• Guia do Cão, Joan Palmer (Estampa)
• 97 Maneiras de Fazer Seu Cachorro Sorrir, Pat Doyle e Jenny Langbehn (Sextante)
• Gatos e Gatinhos, Lydia Darbyshire (Edições 70)
• Wild Minds, Marc Hauser (Penguin UK)
• Manual do Cachorro e Apostila de Treinamento de Obediência, ambos da Lord Cão

SITES
www.arcabrasil.org.br, site da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal
www.hsus.org, Humane Society of the United States
www.vetmovel.com.br, site da veterinária Dra. Rubia Burnier, com dicas e artigos sobre comportamento animal
www.lordcao.com.br, site da Lord Cão

Cão levado por tornado aterrissa a salvo

Do site da Folha Online.

Cachorro aterrissa a salvo após ser levado por tornado nos EUA

O tornado que atingiu nos últimos dias o Estado americano de Illinois gerou uma situação inusitada ao carregar um cachorro pelo céu da região e aterrissá-lo a salvo logo depois, informou a rede de televisão CBS.

Chase, um cão da raça rottweiler, estava brincando no jardim de sua casa no sábado passado (7) quando foi surpreendido pelo tornado que varreu a região de Richton Park.

"De repente, as pessoas começaram a vir e me dizer que viram meu cachorro voando", contou a dona do animal, Sandra Holmes.

Uma vizinha disse que "o cachorro estava no ar, dando voltas, como se tivesse sido arrancado do solo".

O incidente não deixou Chase machucado. Ele aterrissou em uma zona arborizada próxima à sua casa.

"É um milagre", disse a dona de Chase.

Primeira geração de cães-guia paulistanos

Do site da Veja São Paulo. No mesmo tema, leiam também o nosso Lord Cão News sobre a raça labrador: Nem todo labrador serve para guia de pessoas cegas.

Anjos de quatro patas: Nas ruas, no metrô e até no cinema. A 1ª geração de cães-guia paulistanos confere autonomia a cegos.

Nina é a primeira cadela paulistana em treinamento para conduzir um cego. Os outros quinze cães-guia que circulam pela cidade foram importados de países como Estados Unidos e Austrália ou adestrados em outros estados. De porte esguio e olhar atento, a cachorrinha sobressaiu em uma ninhada de oito labradores. Embora não fosse a líder dos irmãos, mamava com vontade e gostava de brincar. Atualmente, aos 10 meses, vive na casa da família Martinez. Não é, contudo, um animal de estimação comum, daqueles que ficam no colo ou soltos no quintal. Já teve lições de obediência, aprendendo que é proibido morder objetos e subir no sofá (apesar de, às vezes, sair da linha e roubar umas meias do armário). Nina acompanha a rotina de trabalho de Rita, secretária de um estaleiro. "Ela fica quietinha embaixo de minha mesa", conta. Nos fins de semana, vai junto ao supermercado, ao clube e à casa de parentes. "Até mostrar maturidade para ser adestrado, o cachorro aprende a conviver no meio de pessoas", explica a treinadora Alexandra Fiuza.

A advogada Thays Martinez, na Livraria Cultura: luta para que Bóris, seu labrador, entre em qualquer local público

A preparação de um cão-guia chega a levar dois anos. Inclui a fase de socialização e o adestramento propriamente dito. Tanto machos quanto fêmeas podem ser condutores, desde que castrados. Dá-se preferência às raças labrador, golden retriever, collie, boxer e pastor alemão. Existe apenas uma escola para treinar tais animais no país. Fica em Brasília e pertence à ONG Integra. Lá há uma espécie de minicidade para simulação de percurso, com os cachorros sendo instruí-dos a contornar buracos, desviar-se de orelhões e atravessar a rua. A Integra teria de doar os animais, como é praxe no mundo inteiro. Mas a entidade também os vende, já que encontra dificuldades para levantar recursos de patrocinadores. "O custo de preparação de um cão-guia é de cerca de 25000 reais. Nós cobramos no máximo 15000 reais do usuário", diz o instrutor Carlos Alberto Dias, um dos três brasileiros que têm tal especialidade, com diploma internacional. Essa é uma questão polêmica. "Considero antiético favorecer os que podem pagar", afirma a advogada Thays Martinez, que conquistou autonomia a ponto de morar sozinha após ter ganhado Bóris, seu labrador caramelo. "O cão-guia pode ser comparado ao transplante de córnea."

Kátia Marques e Genival Santos: eles namoram e seus cachorros também

Thays é co-fundadora do Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (Iris), com sede na Vila Leopoldina. Sua batalha pela causa dos cegos teve início no dia em que foi impedida de embarcar com o cachorro na estação Marechal Deodoro do metrô, em 2000. De lá para cá, ela conseguiu duas vitórias: a instituição da lei federal que permite a entrada de cães-guia em qualquer local público e a importação de doze deles por meio de uma parceria da Iris com o grupo Leader Dogs for the Blind, de Michigan, nos Estados Unidos. "É apenas o começo, pois há 2000 pessoas na lista de espera", diz ela, que está empenhada na tentativa de criar cães-guia em São Paulo. Como se nota pela repetição do sobrenome Martinez, Thays envolveu o irmão, a cunhada e os sobrinhos em seu projeto. São eles os zelosos criadores da filhote Nina.

Nascida para guiar: até completar 1 ano, a cadela Nina viverá na casa dos Martinez e terá lições de obediência com a adestradora Alexandra Fiuza (à esq.)

Na minúscula comunidade dos usuários de cães-guia, há um jovem casal cujos cachorros também "namoram", segundo eles. O advogado Genival Santos e a bancária Kátia Marques são os donos de Laila e Sam, respectivamente. "Quando saímos para passear, fazemos muito sucesso", afirma ele. "Mas eu não gosto muito que as pessoas venham brincar com os cães", reclama ela. O motivo é simples: o cachorro se desconcentra. E sempre há uma lixeira ou uma lanchonete por perto para atiçar sua fome. Quando Santos e Kátia começaram o namoro, há pouco mais de um ano, eles ainda usavam bengala. O instrumento às vezes os deixava na mão. Santos conta que já marcou encontro com Kátia numa estação de metrô e não conseguiu encontrá-la. "No corre-corre, ninguém ajudava e o celular não pegava." Agora está mais fácil, pois Sam corre em direção a Laila e os casais partem contentes. Gostam de ir ao cinema (dublado) e já foram ao zoológico. Livres da bengala, eles não têm mais topado com orelhões e outros obstáculos no meio do caminho. "Até pensei em comprar um capacete", brinca Santos.

Gostaria de acrescentar um detalhe que não me pareceu muito claro na reportagem: nem todo filhote nasce com perfil para ser cão-guia. De uma mesma ninhada, poucos serão escolhidos, talvez apenas 1 ou até mesmo nenhum deles. Da mesma forma que os irmãos humanos são diferentes um do outro, os irmãos caninos também são bem diferentes entre si. O filhote precisa antes de mais nada nascer com o temperamento certo para o trabalho. Depois, precisa passar por um árduo e longo treinamento e viver por um certo tempo com uma família adotiva. Mesmo tendo nascido com o temperamento certo, nem todos os cães são aprovados nas etapas do treinamento. Apenas alguns deles se formam e são colocados para trabalhar como cães-guia. Isso significa que não basta apenas comprar um labrador para ter aquele cachorrinho calminho que fica deitado aos pés do dono nos filmes e novelas! Alguém aqui ainda não leu Marley? O labrador é de uma forma geral um cachorro *muito* ativo, que vai viver ligado na tomada por uns bons 3 a 4 anos. A raça tem uma energia infindável, o que *não* significa que eles não dão bons pets. Com *muito* exercício diário e treinamento de obediência eles podem se tornar ótimos, mas isso requer muita paciência, dedicação e trabalho por parte do dono.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Leishmaniose: polêmica e sem cura

Do site da Folha Online.

A regra é clara: de acordo com o Ministério da Saúde, desde 1963, cães que apresentem exames soropositivos para leishmaniose visceral canina devem ser sacrificados. Mas nem todos veterinários vêem a eutanásia como a melhor saída para o controle da zoonose e para evitar contaminação de humanos.

A polêmica fica ainda mais forte por conta de a leishmaniose ser uma doença que existe em outros locais do mundo, como Europa e Estados Unidos, e o Brasil ser o único país em que o sacrifício dos animais é obrigatório. "Na Espanha, onde a doença também é endêmica na variação canina, existem medicamentos e até ração desenvolvidos especificamente para os cães doentes, e o dono tem o direito de decidir se trata ou não o animal", diz o veterinário Fábio dos Santos Nogueira, que fez seu doutorado sobre a doença e não acredita que a eutanásia resolva o problema.

Para ser transmitida de um cão para outro ou para humanos, é preciso que o animal infectado seja picado pelo mosquito-palha, transmissor da doença. "Desde 97, foram sacrificados mais de 13 mil cães na região de Araçatuba e a doença não foi controlada. Quem gosta de cachorro substitui o cão sacrificado por outro, que fatalmente será infectado pelos mesmos mosquitos, e continuará o ciclo", explica Fábio.

Presente no país há mais de 80 anos, a leishmaniose chegou ao Estado de São Paulo somente em 98, na região de Araçatuba. Sem cura, a doença avança seguindo as malhas rodoviária e ferroviária do Estado. Por enquanto, não existem casos de cães infectados na capital, mas já há animais que contraíram o parasita em outros locais e vivem em São Paulo. (Atenção recifenses, aqui na capital de Pernambuco já temos casos de cães infectados).

Em Cotia e Embu, vizinhas da capital, a leishmaniose canina já é endêmica. Segundo dados aproximados das vigilâncias em saúde e zoonoses de cada município, foram encontrados por volta de 30 casos em Embu e 26 em Cotia. Em ambas, ainda não há registros de contaminação humana, mas os donos de animais infectados são notificados sobre a recomendação da eutanásia. O cão é o hospedeiro, ou seja, ao picar um animal contaminado, o mosquito se contamina e passa a doença para o homem ou para outro cão.

Tratar os animais é possível, mas a droga mais eficaz é usada em humanos e proibida para utilização em cães. "A leishmaniose é um problema de saúde pública. O tratamento do cão pode selecionar os parasitas mais resistentes e fazer com que a medicação perca sua eficácia", aponta a veterinária doutoranda em saúde pública pela Unesp de Botucatu Juliana Giantomassi Machado, que vê a eutanásia como uma medida necessária para o controle.

"O tratamento não é para qualquer animal. É preciso disponibilidade de dinheiro e tempo do dono, pois, no início, o cão deve ser monitorado praticamente todos os dias. Depois do controle inicial, deve ser assistido de seis em seis meses pelo resto da vida", explica o veterinário do Hospital Veterinário da Anhembi Morumbi, Márcio Moreira. "Não sou contra a eutanásia, há casos em que é a melhor opção. Mas defendo o direito do dono, se tiver condições e quiser, de tratar o cão."


Diagnóstico preciso

Entre as questões que ficam antes de se decidir pela eutanásia está a precisão do diagnóstico. Os métodos usados pela rede pública e pelos centros de controle de zoonoses de cada cidade são testes feitos a partir de amostras de sangue e que indicam a presença de anticorpos para a leishmânia.

A veterinária Carla Berl, do Pet Care, que realiza exames para identificar a doença, diz que existem fatores que podem levar a um resultado falso - positivo ou negativo. "Se o cão foi infectado há pouco tempo, pode estar no período de incubação e o teste resultar negativo. Há outras doenças e a própria vacina existente hoje faz com que o resultado possa ser positivo erroneamente."

A vacina é outra polêmica. Aprovada pelo Ministério da Agricultura - que regula a medicação animal -, ainda não é recomendada como forma de prevenção pelo Ministério da Saúde. Sua aplicação só é permitida em áreas endêmicas, e os custos ainda são elevados para a população de baixa renda (R$ 80 a dose).

Existem testes que diferenciam o animal vacinado ou que tem outras doenças do infectado. Em vez da identificação do anticorpo, eles encontram o parasita em material que pode ser retirado da medula óssea do cão. Moradora de uma chácara entre Embu e Cotia, a professora de equitação Mariana Falcão Arantes, 33, decidiu imunizar seus animais assim que soube que a vacina estava liberada em Cotia. "Faço o que posso para que eles fiquem saudáveis. Eles sempre usaram coleiras repelentes. Tenho uma proteção a mais." Foi assim que os boxers Tica e Chorão, 1 ano e meio, a border collie Taiga, 1, o rottweiler Horus, 1, e os mestiços Brisa, 2, e Oliver, 5, ganharam mais uma vacina.

Mosquito vilão

Mesmo com visões diferentes sobre o destino dos animais, os veterinários concordam que é preciso fazer mais do que apenas sacrificar o cão. A ação deveria ser conjunta com a educação da população sobre as formas de prevenção e com o combate ao mosquito-palha, que carrega o parasita e infecta animais e humanos.

"Segundo pesquisadores, a eliminação de cães soropositivos não leva à comprovada diminuição da taxa de contaminação humana. Isso leva à conclusão de que somente a eutanásia, sem o controle do vetor, não é suficiente para impedir o alastramento da infecção", diz o professor da USP Carlos Eduardo Larsson.

Prevenção ainda é o melhor caminho para não cair no dilema do que fazer se o pet contrair a doença. Mesmo nos locais onde não há nem endemia nem o mosquito, manter as áreas externas limpas, sem matéria orgânica, e os canis telados são úteis para que os insetos fiquem à distância.

Combinar o uso da coleira e, quando possível, a vacina, é o conselho dos veterinários. Deve ser seguido especialmente por pessoas que vivem nas proximidades ou em áreas endêmicas e ganha um alerta a mais com a chegada das férias.

Além dos que saem da cidade e vão para sítios, chácaras e fazendas em cidades onde pode haver risco de contaminação, quem deixa o pet em hotéis deve redobrar a atenção. Com tantos cães juntos, fica impossível saber a origem de cada um e ninguém vai querer um parasita como lembrança da viagem.


Saiba mais

O que é:
A leishmaniose visceral canina (LVC) é uma doença crônica que ataca cães, raposas e outros canídeos silvestres. É uma zoonose, ou seja, pode ser transmitida ao homem. Pode ser fatal se não for tratada.

Como é transmitida:
O mosquito-palha pica um animal infectado. Ao picar outro animal ou pessoa sã, o mosquito transmite o parasita.

Sintomas:
Feridas na pele difíceis de cicatrizar, no focinho e nas pontas das orelhas, crescimento das unhas, emagrecimento, fadiga, prostração, febre e anemia. Em casos avançados, pode comprometer os rins.

Diagnóstico:
Pelo exame de sangue, mesmo que o resultado seja positivo, existe chance de o animal não estar infectado. Outro teste, que utiliza material retirado da medula óssea, identifica a presença do protozoário.

Tratamento:
- A doença não tem cura. Decreto federal indica que animais infectados devem ser sacrificados. Alguns veterinários questionam a eficácia da medida.
- O tratamento, igual para cães e humanos, é à base de medicamentos. Demorado, exige acompanhamento e exames.
- O Ministério da Saúde não permite o tratamento canino e o Conselho Regional de Veterinária não recomenda a prática.

Prevenção:
- Vacina para cães que moram ou freqüentam áreas endêmicas, a partir de quatro meses, com exames negativos. A primeira aplicação é de três doses, a cada 21 dias. Deve ser repetida anualmente.
- Coleiras antiparasitárias e repelentes de insetos em cães a partir dos três meses.
- Mantenha jardins e quintais limpos para evitar a reprodução do mosquito.
- Proteja canis com telas de trama fina para evitar a entrada do mosquito.
- Evite deixar o cão exposto ao ar livre entre 18h e 23h, quando há mais insetos.
- Cuidado ao comprar filhotes originários de áreas endêmicas.

Clone do cão de resgate do 11 de Setembro

Do site do Yahoo Notícias.

WASHINGTON (AFP) - Cientistas querem clonar um cão que ajudou a localizar sobreviventes em meio aos escombros do World Trade Center, em Nova York, após os ataques de 11 de setembro de 2001, informou um laboratório com sede na Califórnia, que realizará a operação.

Trakr, um pastor alemão que vive com seu dono James Symington em Los Angeles, foi escolhido pela BioArts International o cão mais "digno de ser clonado", em uma competição que oferecia ao proprietário do animal a oportunidade de reproduzir seu mascote.

Symington afirmou que ele e Trakr estiveram entre as primeiras equipes de resgate que chegaram ao "Marco Zero" e conseguiram localizar o último sobrevivente cerca de nove metros sob os escombros.

O pastor alemão, que hoje tem 15 anos, não pode usar suas patas traseiras, devido a um problema neurodegenerativo. Segundo a BioArts, os especialistas acreditam que a doença pode estar ligada à exposição a gases tóxicos na área do World Trade Center.

"Trakr significa tudo para mim", disse Symington. "Saber que uma parte dele vai continuar vivendo é algo que não posso expressar em palavras. É o maior presente que já recebi", acrescentou.

No próximo mês, a BioArts levará uma amostra de DNA de Trakr ao laboratório de sua sócia Sooam Biotech Research Foundation, na Coréia do Sul, e o clone poderá estar pronto até o final do ano.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O São João dos Cachorros foi um sucesso!

A nossa festa aconteceu dia 14/06/2008 no Recife/PE e foi um tremendo sucesso, contando com a participação de aproximadamente 40 cachorros! Além dos peludos que dançaram a quadrilha com os seus donos, muuuitas outras pessoas vieram presenciar o evento de perto, o que deu ainda mais brilho ao evento.


O São João dos Cachorros aconteceu em duas etapas: de manhã a festa foi na Planeta Pet Boa Viagem e à noite tivemos outra na Praça Fleming. São Pedro foi muito legal conosco! Ele deu um intervalo na chuva por tempo suficiente para fazermos toda a quadrilha e o sorteio dos brindes com total tranqüilidade!


A arrecadação para o Grupar, Grupo de Proteção aos Animais de Recife, também foi significativa graças à colaboração dos muitos que trouxeram pacotes de ração para serem doados. A entrega das rações à representande do Grupar aconteceu logo após o término do sorteio dos brindes. Agradecemos o empenho de todos!



Cliquem no link abaixo para ver o álbum com as fotos do evento!

SÃO JOÃO DOS CACHORROS 2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Castrar pode ser uma boa

Da Revista Saúde! é vital edição de outubro de 2007.

A cirurgia em filhotes de cães e gatos, longe de ser um ato contra a natureza do bicho, como muitos pensam, previne doenças sérias relacionadas à produção hormonal.

Se você tem um pé atrás quando o assunto é castração, não hesite mais. A medida é amplamente defendida pelos especialistas que querem o bem do seu animal (inclusive por nós da Lord Cão!) — e por ótimos motivos. “Nas fêmeas o procedimento reduz consideravelmente o risco de tumores de mama e infecções no útero, que são muito comuns (quanto mais cedo for feita, menores são as chances de doenças nas mamas e, por motivos óbvios, a operação elimina a possibilidade de doenças no útero), enquanto no macho afasta problemas na próstata”, garante a veterinária Valéria Correa, da clínica Pet Center Marginal, em São Paulo.

Você só deve prestar atenção no período mais indicado para a esterilização. O ideal seria que tanto cães quanto gatos de ambos os sexos se submetessem a ela antes do primeiro cio, que ocorre entre o quarto e o sexto mês de vida, quando os hormônios entram em ebulição. Depois disso, sobretudo no caso de cadelas e gatas, a cirurgia já não funciona tão bem para evitar as doenças. (Quanto mais cedo a cirurgia for feita, menores são as chances do animal - principalmente o macho - desenvolver problemas de comportamento como dominância com o dono, agressividade com outros cães e marcação de território dentro de casa).

Você receia a operação? Fique tranqüilo. A castração não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, embora represente um pequeno risco, como qualquer cirurgia. “Ela é feita com anestesia geral e dura cerca de uma hora e meia”, conta a veterinária Tânia Parra, professora de reprodução da Universidade Metodista de São Paulo. “Por meio de uma pequena incisão removemos os testículos ou os ovários (as trompas) e o útero”, explica. O bicho não precisa ficar internado e a recuperação é rápida. O único cuidado pós-cirúrgico é usar uma proteção local contra uma eventual agressão bem ali. Depois de sete dias os pontos já podem ser retirados.

O pré-operatório também é simples — consiste em exames clínicos e laboratoriais, como hemograma, além de testes de função renal e hepática. Se achar necessário o veterinário pedirá ainda uma avaliação cardíaca. Tudo para aumentar ainda mais a segurança do procedimento.

Além das vantagens para a saúde, a esterilização muda — para melhor — o comportamento do bicho. Para começar, fica menos saidinho, o que poupa o dono do constrangimento de vê-lo se esfregando no pé do sofá ou na perna da visita. De quebra, a agressividade diminui e, no caso dos machos, ele deixa de urinar em todos os cantos da casa para delimitar seu território. (A castração nem sempre surte efeito nos comportamentos indesejados, principalmente se a cirurgia é feita tardiamente, pois outros componentes podem estar envolvidos, como o temperamento dominante do cachorro e a falta de limites dentro de casa. Além do mais, o efeito não é imediato, pode demorar alguns meses para o cachorro perder o mau hábito. A castração *não* deve ser vista como uma solução milagrosa para todos os problemas, e sim como uma ferramenta *muito* importante para ajudar o dono a resolver os problemas comportamentais do cachorro). Ainda restam algumas dúvidas? O quadro abaixo esclarece uma por uma.

A POLÊMICA DOS ANTICONCEPCIONAIS

Há diversos contraceptivos orais para cães e gatos. Esses remédios têm sido usados a torto e a direito para melhorar o comportamento dos bichos, mais do que para prevenir as gestações indesejadas. “Poucos sabem que os anticoncepcionais aumentam o risco de câncer e de infecções”, lamenta a veterinária Ana Carolina Lagoa, do Hospital Veterinário Rebouças, em São Paulo. Portanto, jamais os utilize para fins, digamos, educativos. E, mesmo para impedir a gravidez, eles são uma alternativa menos saudável do que a castração.

MITOS E VERDADES

O que se diz por aí nem sempre é correto:

• O ANIMAL SEMPRE ENGORDA
Bem, na verdade ele tende a ficar um pouco mais sedentário, mas uma alimentação light e estímulos para prática de exercício físico previnem os quilos a mais. (Segundo as pesquisas, apenas 10% dos animais castrados engorda e, se for o caso do seu animal, nem sempre é necessário usar ração light, muitas vezes basta diminuir 10% na quantidade de ração oferecida a ele).

• CAUSA INCONTINÊNCIA URINÁRIA
Isso é muito raro. Só costuma ocorrer quando a castração é realizada antes dos 4 meses de idade.

• O BICHO FICA FRUSTRADO
Castrado ele não sente a menor necessidade de se acasalar. E aí mesmo é que não se frustra só porque o dono deixou de lhe arrumar um parceiro sexual. (Outro grande mito é que a castração é "anti-natural". Anti-natural na verdade é permitir que o cachorro cruze, porque na natureza apenas o macho e a fêmea alfa - os líderes da matilha - procriam. Ou seja, quando você cruza o seu cachorro, está dando a ele um poder que deveria ser somente seu! E se o cachorro tinha problemas de dominância e agressividade antes, depois de cruzar ele vai ficar ainda pior!).

• A PELE PODE APRESENTAR PROBLEMAS
Vamos ser francos: alguns estudos sugerem a relação entre castração e problemas de pele, mas isso ainda não está bem claro.

• ADEUS, GRAVIDEZ PSICOLÓGICA
Sim, a cirurgia evita que a cadela ou a gata produza leite e se comporte como se estivesse esperando filhotes.

Cachorro não precisa de agasalho

Da Revista Saúde! é vital edição de julho de 2008.

Tira já a roupa! Gorro, casaquinho e, não raro, cachecol e meias! Se você acha que cobrir seu bicho das patas à cabeça vai protegê-lo do frio, saiba que, além de deixá-lo desconfortável, isso pode ser um perigo e tanto.

Chega o inverno. E aí, com a melhor das intenções ou, vamos ser francos, por puro exibicionismo, você resolve vestir o seu cão com roupas para dias de temperatura mínima, como se ele já não fosse munido por natureza de pelagem, curta ou longa, não importa. Antes de montar um guarda-roupa completo para o seu bicho passear nesta estação, alto lá. Bom senso, por favor, até por questões de saúde.

De acordo com Mário Marcondes, diretor clínico do Hospital Veterinário Sena Madureira, em São Paulo, muita gente peca pelo exagero quando resolve encapotar o pobre animal e faz de um passeio com o cachorro um desfile de modelitos fashion. Além de inútil, tanta roupa pode botar o cão em risco, alerta o veterinário. O cachecol, por exemplo, às vezes provoca acidentes quando ele, tentando se desvencilhar da peça, acaba se enforcando.

Cães de pelagem longa definitivamente não precisam de roupa nenhuma, por mais frio que esteja o clima. Os que estão acima do peso, mesmo que sejam de uma raça de pelagem curta, também não. A própria gordura corporal já os deixa aquecidos, justifica o veterinário José Manuel Mourino, da Clínica Pet Place, em São Paulo. Se você teimar em agasalhar seu pet peludo ou gordo, só vai contribuir para uma bela hipertermia, quando a temperatura do corpo sobe além da conta.

As raças de pêlo curto até podem aderir à moda, desde que você note que, de fato, seu cachorro sente frio (veja o quadro abaixo). No caso, escolha uma única peça e muito importante também observe se ela não tolhe os movimentos. Aliás, o ideal é que o animal seja acostumado à novidade aos poucos. E, se perceber que não quer mesmo saber de sair vestido, o melhor é não insistir. Para alguns, o contato do tecido com o corpo pode provocar um coça-coça sem fim e até mesmo uma doença de pele, se houver predisposição. O que tem que prevalecer sempre é o conforto, conclui Mourino.

NÃO INVENTE MODA

- Tecidos sintéticos e de lã costumam causar alergias. Prefira os de algodão ou malha macia.

- Sapatos? Nem pensar! Além de incômodos, fazem o cão perder o tato, que no caso é sentido principalmente por meio das patas.

- Se o bicho é gordinho ou tem pêlos longos, deixe as roupas de lado e, no máximo, providencie um edredom ou travesseiro, só para dar aconchego na hora da soneca em noites mais frias.

DOIS SINAIS DE FRIO

1. Ele tem ataques de tremedeira.

2. As orelhas e as patas ficam bem mais frias do que o normal.

•▄▀• OUTRAS POSTAGENS NOS LINKS ABAIXO