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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Os bichos e as visitas chatas

Esse post foi publicado no site Contraditorium, e eu resolvi colocar uma cópia aqui no blog porque achei o texto muito engraçado. Imagine a situação: você está na *sua* casa, com *seus* bichos e aquela visita chata (ou o filho insuportável daquela visita chata) chega e começa a implicar com os seus pets. Fala sério, não te dá nos nervos? E tem ainda aquele tipo que pede para "prender os cachorros porque fulano não gosta". Bem, sinto muito fulano, quem não gosta de bicho não devia ir na casa de quem tem bicho. Afinal, o bicho mora lá, a visita não!

O post abaixo contém alguns "piiiis" (apitos que substituem os palavrões na TV) porque eu quis deixar o texto mais "família", hehe! Coloquei asteriscos para substituir algumas poucas palavras do texto original, OK?


CONTROLE DE ZOONOSES NÃO PROTEGE ANIMALZINHO. E EU ADOREI

Sam Stevens é uma daquelas mães que acha que o mundo gira em torno de seu pequeno floquinho de neve (o filho dela), adequadamente batizado Cain, que foi mordido por um Mastin Napolitano (é um cachorro, não um sorvete) de um vizinho. Ela está p*** porque o Controle de Zoonoses da cidade de Hamilton, Nova Zelândia, decidiu que o cachorro NÃO deveria ser sacrificado, apesar do moleque ter passado três dias no hospital, todo esfolado, com um corte de 9cm no rosto, devido a um ataque do cachorro.

Fosse no Brasil, já imaginariam que o cachorro era de algum Juiz ou Deputado ou bicheiro.

Nada disso, o cachorro pertencia a um ex-namorado da irmã da mãe do pimpolho, (provavelmente ex depois do ataque) e tudo aconteceu em um churrasco.

Aí começam as explicações que a mamãezinha querida finge não ter conhecimento:

1 - O guri estava dentro da casa, e já havia sido alertado pela mãe para parar de implicar com o cachorro, mesmo assim ele saiu da casa e foi até o bicho, mais uma vez.

2 - Duas testemunhas viram o pestinha sair da casa e puxar os testículos do cachorro. Pela segunda vez.

3 - Dois investigadores do Controle de Zoonoses estudaram o cachorro e concluíram que ele não apresenta perigo para ninguém.

4 - A investigação também revelou que o moleque filhodap*** esteve envolvido em DOIS outros casos de crueldade com animais.

5 - O cachorro tem a ficha “completamente limpa”, e o incidente foi reportado às autoridades pelo DONO, e não pela mãe.

A mamãe se diz desconsolada com a decisão de NÃO sacrificar o cachorro. Eu estou desconsolado pelo cachorro ter agido em legítima defesa, com resposta proporcional. Ele poderia perfeitamente ter TRUCIDADO o pimpolho, mas deu apenas uma mordida dizendo “não puxe a P**** do meu saco”.

Os filhos da minha ex-cunhada NUNCA iam na minha ex-casa, na primeira vez cismaram de encher o saco dos gatos, o Gatoberto meteu-lhe as unhas, o moleque saiu chorando (se puxassem meu rabo eu faria o mesmo, digo, choraria). A mãe veio cobrar atitude, eu olhei para o Gatoberto e falei: “Muito bem, você está na sua casa e ninguém tem o direito de puxar seu rabo, bom menino”.

Digamos que ela não gostou muito.

Outra vez eu estava na casa de uns conhecidos de uma amiga de uma amiga. Junto uma PESTE de uns 4 anos, peste no nível de dar tapa na cara da mãe (eu vi, não era metáfora). Conosco a Lisa, mini-poodle da Beth, minha amiga. O moleque CISMOU de implicar com a cachorrinha, que sendo um mini-poodle não tinha como dar resposta à altura.

Uma hora ele sentou em um lado da varanda e começou a tacar brinquedos na cachorra (brinquedos grandes, tipo balde de praia). Eu avisei: “NÃO FAZ ISSO! QUIETO! SIT! DEIXA A CACHORRA EM PAZ!”.

A peste não estava acostumada com figura de autoridade, e parou por alguns segundos. Em seguida pegou alguma coisa GRANDE e tacou. A cachorrinha ganiu e veio se esconder perto de mim. Eu peguei o brinquedo e taquei de volta, COM FORÇA. Ele começou a chorar, a mãe veio ver.

Expliquei: “Esse ANIMALZINHO do Damien está tacando coisas e machucou a Lisa. Eu avisei pra não fazer, ele continuou. Taquei um de volta pra essa peste sentir se é bom”. Juro pelo bem da Luciana Vendramini que usei esses exatos termos.

A mamãe do pimpolho, igual à do caso na Nova Zelândia, ficou indignada, afinal seu filhinho tinha o Direito Divino de torturar animais, poxa, torturava a própria mãe, porque não um mini-poodle?

Rolou um princípio de barraco, mas eu já estava vermelho de raiva, minha amiga também ficou p***, rolou climão e foi todo mundo embora. Nunca mais vi a peste do Damien, espero que tenha encontrado um Mastin Napolitano pela frente.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mãe de Cachorro Também é Mãe!

O site Mãe de Cachorro, de Ana Corina, além de ser muito gracinha tem umas camisas *liiiindas* para vender, em 3 modelos (camiseta, babylook e regata) e nas cores branca, rosa e lilás. As camisas são de uma malha muito macia, têm um ótimo acabamento e vêm com a logo do site, que é simplesmente perfeito: "Mãe de Cachorro Também é Mãe". Eu já garanti a minha, e você? Para saber mais detalhes sobre como comprar, basta clicar aqui.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Como controlar a ansiedade do seu cachorro

Muitos cães apresentam um sério problema chamado Ansiedade de Separação, ou seja, quando se afastam dos donos, por qualquer período de tempo que seja, esses cães sofrem demasiadamente e desenvolvem os mais diversos comportamentos para compensar a solidão, a tristeza, o tédio e/ou o desespero que sentem. Fazem parte dos sintomas, dentre outras coisas: parar de comer, chorar, latir, uivar, destruir a casa, roer objetos inadequados, fazer xixi/cocô em lugares errados e se auto-mutilar. As perguntas abaixo foram respondidas por mim para uma reportagem sobre o assunto.

• Por que alguns cachorros ficam extremamente ansiosos com a ausência do dono e outros se "acostumam" a ficar sozinhos?

Primeiramente, temos que levar em consideração que existem raças que são naturalmente mais independentes do que outras. Cães dessas raças se adaptam mais facilmente a passar longos períodos de tempo sozinhos. Quando digo que eles se adaptam mais facilmente, não significa que eles *gostam* de ficar sozinhos e sim que eles normalmente sofrem *menos* com a situação. Ninguém gosta de ficar o dia todo sozinho, todos os dias, e com os cães não é diferente!

Em segundo lugar, na maioria das vezes são os próprios donos que contribuem consciente ou inconscientemente para criar uma dependência extremada em seus cães. Muitas pessoas acham o máximo ter um cachorro que as segue por todos os cantos da casa, como uma sombra, até quando vão ao banheiro. Essas pessoas não sabem que estão causando um mal muito grande aos seus cães, pois sempre que elas precisarem se ausentar, os peludos vão sofrer *m-u-i-t-o*, chegando ao ponto de adoecer seriamente.

• Que tipo de comportamento do dono cria essa dependência?

Eu acredito que a dependência do cão para com o dono é gerada basicamente pela dependência do dono para com o cão. O que muita gente não entende é que todo cachorro tem direito a uma vida própria, independente da vida do dono, com tempo livre para ele mesmo, para "coisas de cachorro", como tirar uma sonequinha, tomar banho de sol, roer um osso, caçar formigas, cavar o jardim e brincar com a bola preferida. Do mesmo jeito que as pessoas precisam do seu próprio espaço, com os cães é igual.

Manter o cachorro no colo o tempo todo (quando o tamanho assim o permite, lógico) ou solicitar a presença permanente do peludo no mesmo cômodo em que o dono está, só contribuem para aumentar a dependência. Tem gente que acorda o cachorro só para dar um "oi", ou que vai buscá-lo onde ele estiver para colocá-lo nos braços. Por mais fofinho que seja, o peludo não é um brinquedo, é um ser com emoções que precisa ter a liberdade de ir e vir quando quiser. Cachorro também tem os seus dias de mau humor, também perde a paciência, também fica cansado. Cachorro também precisa tirar férias do dono grudento!

• Para muitos animais, o momento mais difícil é a hora do dono sair de casa. Existe alguma forma de tornar essa despedida um momento alegre? Sair escondido ajuda ou atrapalha?

O importante é o dono não valorizar nem o momento da sua chegada, nem o da sua saída. Se o dono faz uma festa enorme todas as vezes que entra em casa, o momento mais importante do dia passa a ser a chegada do dono. E aí o pobre cão passa a vida a esperar o dono chegar, como se esse fosse o ápice da felicidade canina. O que se deve fazer é ensinar ao cachorro que sair e chegar em casa são atitudes normais, comuns e diárias. Nada especial nisso.

Ao chegar em casa, o dono deve ignorar o cão completamente até que o mesmo esteja calmo e com as emoções sob controle. Se o dono cumprimenta o cachorro quando ele está pulando e dando latidos de alegria, estará recompensando estresse e ansiedade. Se, ao contrário, o dono espera o cachorro se acalmar para só então falar com ele, estará recompensando tranquilidade e bom comportamento.

Na hora da saída, nada daquelas despedidas melosas, cheias de abraços, beijos e frases como "mamãe (ou papai) vai sentir muita saudade". Ao contrário, o dono não deve dar atenção ao cão por uns 20 minutos antes de sair. Se o cachorro estiver cansado de um passeio, ainda melhor. O dono deve deixar o peludo com um osso durável ou com o que eu chamo de "brinquedo quebra-cabeça" (como por exemplo um kong), ou seja, um brinquedo resistente que pode ser recheado com gostosuras. Além disso, é importante o dono deixar vários petiscos escondidos pela casa, para que o peludo passe o tempo caçando as recompensas ao invés de destruindo a casa.

Sair escondido não faz a menor diferença, pois os cães têm uma audição apuradíssima e ouvem o tilintar da chave, o bater da porta por mais suave que seja, o barulho do elevador e o ronco exclusivo do motor do carro do dono, mesmo muito longe, lá na garagem. Além do mais, os cães têm um relógio biológico incrível, eles conseguem identificar as horas e os dias da semana e sabem, por exemplo, que o dono sai de casa de segunda a sábado, sempre às 7 da manhã.

• Deixar a tevê ou o som ligado ajuda os cães a ficarem mais calmos ou isso é lenda?

Esse subterfúgio só tem chance de funcionar se a TV ou o som fica normalmente ligado quando o dono está em casa. Se fica, o barulho do equipamento pode ser reconfortante para o cão, por ser parte da rotina da casa. Se não fica, o equipamento ligado só vai causar mais ansiedade, pois faz o cachorro lembrar a todo instante que o dono está ausente.

Outro artifício muito popular é deixar o peludo com uma peça de roupa do dono. Isso também pode ter um impacto negativo, que vai depender do temperamento do cão. Alguns se sentem melhor com o cheirinho do dono sempre por perto. Outros ficam mais ansiosos ainda. A dica é observar o cachorro nas horas de solidão e ver se ele naturalmente procura um cantinho que lembre a presença do dono. Se for esse o caso, é válido deixar uma peça de roupa com ele, mas é importante que essa peça de roupa tenha sempre o cheiro do dono, e para isso ela deve ser lavada com frequencia e mantida no guarda-roupa por um tempo.

Dependendo da gravidade do caso, e sempre seguindo a orientação de um veterinário experiente em comportamento canino, o peludo pode necessitar de medicação para controlar a ansiedade. Também existem no mercado dispositivos que liberam doses de feromônios no ar, funcionando como calmantes naturais e proporcionando ao cão uma sensação de bem-estar e aconchego.

• Vale comprar um outro bicho para fazer companhia ao que já tem em casa?

Depende muito. Alguns cães não estão nada dispostos a dividir o espaço com um "concorrente". Já outros vão se beneficiar imensamente da companhia de outro animal. Mais uma vez, é uma questão de temperamento. O que não vale é pegar um segundo pet e deixar ambos dependentes da presença do dono, pois aí o problema é dobrado.

Caso o dono perceba que um outro animal será benéfico para o seu cão, resta definir qual animal será esse. Em muitos casos, um gato é uma excelente companhia para um cachorro. De forma contrária, roedores e aves não costumam se dar bem com cães (toda regra tem exceção!). Se o dono optar por um segundo cachorro, deve escolher um do sexo oposto para reduzir as chances de brigas (castrando um deles ou, melhor ainda, ambos). Se o peludo atual é dominante, o dono deve escolher um novato que seja submisso e que tenha de preferência o mesmo tamanho, ou então que seja maior do que o outro porque, em caso de brigas, o cão mandão não deve levar vantagem fisicamente. Vale lembrar ainda que alguns cães preferem outros de sua mesma raça.

• E quando o dono chega em casa e vê a casa destruída pelo animal, que atitude tomar? Adianta dar uma bronca? Ou o bicho não vai relacionar a bronca ao que fez horas atrás? Como fazer com que ele entenda que destruir a casa enquanto o dono está fora não é certo?

Dar uma bronca depois da desgraça feita não adianta absolutamente nada. Os cães só associam uma causa com um efeito se os eventos distarem entre si de no máximo poucos segundos. Ou seja, só adianta recompensar ou reclamar com o cachorro durante ou imediatamente após o ato. Passados apenas poucos segundos, o cachorro já fará a associação (positiva ou negativa) com o próximo evento qualquer que vier a seguir. Em outras palavras, se o dono brigar com o cachorro quando chegar em casa e encontrar tudo absolutamente revirado, o cachorro vai associar a bronca com a chegada do dono e não com a bagunça. Não faz a menor diferença agarrar o cão pelo cangote e esfregar o focinho dele no chão, na tentativa de "mostrar" o que ele fez de errado. Isso só vai servir para machucar o coitado do cachorro e para deixá-lo com a certeza de que tem um dono instável e incoerente.

O aprendizado de um cão é baseado em associações, isto é, em tentativas, erros e acertos. Uma associação que gera um resultado positivo e prazeroso para o cachorro fica fixada de forma intensa na memória, e tende a ser repetida até se tornar um hábito. Por exemplo, se ele ganhar um petisco todas as vezes que fizer xixi no lugar certo, vai tentar acertar cada vez mais. De forma contrária, uma associação que gera um resultado negativo para o peludo tende a ser abandonada e esquecida. É por isso que o treinamento com recompensa (petisco, "muito bem", brinquedo ou carinho) é muito mais produtivo do que o treinamento com punição.

Para que o peludo entenda que destruir a casa não é certo, o dono precisa pegá-lo no flagra e reclamar com ele na mesma hora. Por exemplo: se o dono encontrar o cachorro roendo o pé da mesa, deve dizer um sonoro "não" num tom firme e oferecer um osso em troca. Assim, o dono estará explicando ao cachorro que roer a mesa é errado e que ele deve, em vez disso, exercitar as mandíbulas no osso. Para ajudar no treinamento, o dono deve usar repelentes para objetos e aplicar frequentemente nos pontos preferidos do cachorro. O cheiro e o gosto desagraváveis do repelente ajudarão a incutir na memória do peludo quais objetos estão fora dos limites.

É importante escolher um repelente que seja desagradável para o cachorro, senão a tática não vai funcionar. Um exemplo prático: tem gente que adora pimenta, tem gente, como eu, que odeia. Sendo assim, para mim a pimenta é um repelente, enquanto que para muita gente é um atrativo. Os repelentes para objetos encontrados no mercado possuem princípios ativos diferentes, como por exemplo capim limão (lemongrass) ou citronela, basta olhar a composição química. Outros tipos de repelentes que também podem funcionar são a própria pimenta e o vinagre.

Finalizando, vale lembrar que qualquer cachorro só deve ser deixado solto pela casa quando tiver responsabilidade e maturidade suficientes para não estragar nada. Ninguém deixa uma criança de 2 anos sem supervisão, não é mesmo? De forma semelhante, um filhote ou um cão adulto recém-chegado na casa não pode ficar solto sozinho, pois invariavelmente vai fazer besteira. Até que o peludo seja confiável, quando ele precisar ficar sozinho deverá ser numa área espaçosa, segura e especialmente preparada para ele, com abrigo contra o vento e a chuva, uma caminha, um pote de água limpa, muitos brinquedos e ossos e um local para fazer as necessidades.

Escrito por:
Sandra Régia - 2009
Treinadora Especialista em Comportamento Canino
Lord Cão - Treinamento de Cães Ltda.
sandra@lordcao.com.br
Fones: (81) 3341-1472 ou (81) 9994-5631
www.lordcao.com.br
Copyright 2009 - Sandra Régia - Todos os direitos reservados.
(Este artigo está registrado na Biblioteca Nacional e tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução desde que sejam colocados os créditos de autoria e um link para www.lordcao.com.br).

UPDADE: O artigo foi publicado na Revista Sendas de fevereiro de 2009. Clique na imagem para ampliar.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As pessoas e seu relacionamento com os cães

Um dos principais trabalhos que faço na Lord Cão é passar conhecimento para as pessoas, explicando porque os cachorros fazem o que fazem e como elas devem proceder para resolver eventuais problemas de comportamento dos peludos. Um dos problemas mais frequentes é quando o dono não gosta "tanto assim" de cachorro, mas termina cedendo ao apelo dos filhos e leva para casa aquela bolinha de pelos linda, mas que em uma semana se transforma num verdadeiro diabinho da Tasmânia.

É um erro gravíssimo, que gera 7 pontos na carteira, levar um cachorro para casa sem gostar "tanto assim" de cachorro, só porque os filhos prometeram de pés juntos que vão se responsabilizar pelo bichinho, cuidar de tudo, limpar a sujeira, dar banho, escovar o pelo e passear tooodos os dias. Eu sinceramente espero que ninguém realmente realista ache que uma criança, um pré-adolescente ou mesmo um adolescente vai ter tempo e disposição de cuidar integralmente de um cachorro.

Considerando a escola, o curso de inglês, a natação, o balé, o judô, o cursinho pré-vestibular, as provas, a namorada ou o namorado, as baladas, os amigos, a faculdade, a internet, o celular, o MP3, a TV, os games, etc., etc., etc., falta tempo para se dedicar ao cachorro. Nessas idades as prioridades são outras e o cachorro termina sendo um companheiro para apenas meia hora de brincadeiras. Sobra então tudo para os pais, que não gostam "tanto assim" de cachorro. E é aí que os problemas começam.

Cachorros dão *M-U-I-T-O* trabalho e geram *M-U-I-T-O-S* gastos, sendo ainda totalmente dependentes dos humanos durante toda a vida deles, que dura em média (apenas) 10 ou 15 anos. Os filhotes têm uma energia infindável, destroem coisas caras, soltam pelos pela casa toda, mordem, pulam nas pessoas, fazem xixi e cocô no lugar errado, rasgam roupas, cavam o jardim, comem as plantas, latem de noite, etc., etc., etc.

Os cães também entram na adolescência, lá pelos 8 meses de idade, e passam por todos os problemas típicos do aumento no fluxo de hormônios: eles testam a paciência dos donos até além do limite, desobedecem, se tormam mandões e voluntariosos, por vezes agressivos, montam nas almofadas e nas pernas das pessoas e muitos começam a marcar território dentro de casa. Vale lembrar ainda que os cães não amadurecem até mais ou menos uns 2 anos de idade. No caso do xixi no lugar certo, por exemplo, eles só se tornam confiáveis lá pelos 6 meses de idade. E mesmo assim eles podem começar a errar de novo, quando marcam território.

Todo e qualquer cachorro precisa ser escovado, precisa tomar banho, tomar remédios, tomar vacinas, precisa passear todos os dias e precisa interagir com a família. Todo e qualquer cachorro fica doente, pega carrapato, vomita pelo chão, tem diarreia, engole o que não deve, passa mal durante a madrugada e precisa pelo menos uma vez na vida ser levado de urgência para o veterinário. Os cães também ficam velhinhos, cegos, surdos, banguelas, impacientes, cheios de dor, com artrite, com dificuldade para se locomover e com incontinência urinária. Nessa idade eles requerem cuidados especiais, gastos especiais e uma dose extra de paciência e carinho por parte dos donos.

Por tudo isso, as pessoas que não gostam "tanto assim" de cachorro não deveriam ter um cachorro. É injusto para a pessoa e para o cachorro. Essas pessoas deveriam escolher como pet um animal mais fácil, como um coelho ou uma chinchila, que dão muito menos trabalho e vivem menos. Um cão também não é uma boa alternativa para quem quer apenas proteger a casa, deixando o bicho preso durante o dia e restrito ao quintal durante a noite. Os cães não são simples ferramentas de trabalho, eles têm sentimentos, eles sofrem, sentem medo, dor, solidão. Eles precisam se sentir membros da família, precisam brincar e interagir com os donos, tanto os cães de colo quanto os cães de guarda. Os cães que vivem isolados não são felizes.

Eu costumo classificar as pessoas em 3 tipos básicos, de acordo com o grau de afinidade em relação aos cães. Esses tipos são tão diferentes entre si quanto água, óleo e vinagre. E é importante respeitar essas diferenças, pois é total perda de tempo tentar convencer uma pessoa a mudar de tipo ou tentar explicar os porquês de suas atitudes a quem tem o tipo diferente do seu. Insistir só vai gerar conflitos e desgastes emocionais. Cada pessoa é o que é e, quando se trata de cachorro, normalmente uma só entende as razões da outra quando ambas são do mesmo tipo. E que tipos são esses?

As pessoas do tipo 1 são aquelas que realmente GOSTAM de cachorro. Quando eu digo *gostam de cachorro* é na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até que a morte os separe. Essas pessoas desenvolvem um vínculo emocional extremamente forte com seus cães, eles são verdadeiramente membros da família. Mesmo quando o cachorro está coberto de lama, fedido de vômito, sujo de cocô ou cheio de carrapatos, quem gosta de cachorro vai lá e limpa o bichinho com o mesmo carinho de sempre. Quem gosta de cachorro vira a madrugada com o peludo quando ele está doente, conhece o significado de cada latido e não imagina a vida sem um companheiro de quatro patas. Quem gosta de cachorro não se incomoda com pelos soltos, baba e lambidas. Quem gosta de cachorro pesquisa todo tipo de informação sobre eles na internet e/ou em livros, não mede esforços para proporcionar o bem-estar do peludo e vive comprando presentinhos pra ele.

As pessoas do tipo 2 são aquelas que ACEITAM cachorro. Na minha opinião, esse é o tipo mais frequente. Muitas dessas pessoas têm um cão, mas normalmente são aquelas sobre as quais eu comentei nesse post, que cedem à pressão dos filhos ou que querem só um cão de guarda. Não há um vínculo emocional muito forte. Outras não têm cachorro por opção, mas até fazem festinha quando vão na casa de alguém que tem. Essas pessoas se relacionam bem com os peludos quando esses são comportados e quando estão limpinhos. Quando o cachorro desenvolve problemas, ele pode acabar sendo trocado por outro. Quando a vida do dono se altera de alguma forma, como no caso de uma mudança de casa ou do nascimento de um filho, o cachorro pode ser passado adiante. Normalmente essas pessoas gostam de fazer um cafuné na cabeça do peludo, mas pouco mais do que isso. Outro exemplo de pessoa do tipo 2 é o cônjuge de uma pessoa do tipo 1, que aceita dividir a casa com um cachorro, mas que não se envolve diretamente nos cuidados.

As pessoas do tipo 3 são aquelas que NÃO GOSTAM de cachorro, seja por medo ou por falta de afinidade mesmo. Esse é o tipo mais fácil de identificar, pois ou a pessoa tem pavor de cachorro ou acha loucos de pedra todos aqueles que gostam e que aceitam cachorro. Quem não gosta de cachorro não suporta os pelos, as lambidas, o cheiro e os latidos. Algumas pessoas do tipo 3 não toleram nem a proximidade de um cachorro. Normalmente são aquelas que vêm com a velha (e ilógica) comparação entre cachorro e criança, achando um verdadeiro desperdício e um absurdo o tempo e o dinheiro que se gasta com os peludos. Essas pessoas usam sempre aquele argumento super batido da música que diz "troque seu cachorro por uma criança pobre". Acham que cachorro só serve para trazer problemas e despesas. Essas pessoas dão a um cachorro a mesma importância que a um copinho descartável, e estão sempre prontos para aconselhar alguém a se desfazer do peludo.

Eu sou uma pessoa do tipo 1, com muito orgulho, e você?

O papagaio que late

Papagaios são animais incríveis, são daqueles poucos tipos de pets que interagem com os humanos e que se integram muito bem no dia-a-dia da família. Os papagaios têm duas vantagens importantes quando comparados a cães e gatos: eles falam (cães e gatos se expressam tão bem que é *quase* como se falassem, mas quase é quase!) e eles vivem muito. Talvez por isso sejam tão queridos.

Através do trabalho que faço na Lord Cão, prestando consultorias a clientes em suas residências, eu tive o prazer de conhecer dois papagaios que são duas figuraças. O primeiro mora numa casa, o segundo num apartamento. E cada qual desenvolveu uma habilidade diferente, sendo ambas, no mínimo, muito engraçadas.

O papagaio que mora na casa aprendeu a comandar o cachorro da família a ir para o canil sempre que o portão precisa ser aberto. De tanto escutar, ele assimilou a frase e agora repete bonitinho: "Max, canil! Canil, Max!". Ninguém mais precisa se preocupar na hora de abrir o portão, pois o papagaio assumiu a responsabilidade de avisar o cachorro. E o cachorro obedece!

O papagaio que mora no apartamento escuta frequentemente (sem trema, já de conformidade com o acordo ortográfico, hehe) os latidos dos vários cachorros que moram no mesmo prédio. E, por tabela, o papagaio aprendeu a latir também! E late de forma tão perfeita que ninguém consegue diferenciar o latido dele do latido de um cachorro! Da próxima vez que alguém lhe disser que quer um papagaio como pet "porque não faz barulho", diga para essa pessoa pensar duas vezes, hahahaha!!!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Resoluções de Ano Novo

O site Bem Legaus publicou 5 famosas resoluções de Ano Novo, aquelas promessas de início de ano que todo mundo faz e que quase ninguém cumpre. As imagens que foram selecionadas para o post são uma graça, e eu não podia deixar de republicar aqui no blog!

Eu tenho as minhas, você tem as suas e todo mundo, mesmo que de maneira velada, acaba fazendo algumas resoluções quando um novo ano começa. Por isso hoje, excepcionalmente, ao invés de coisas legais palpáveis, resolvi fazer um post diferente. Em uma rápida busca pela internet e puxando pela memória, listei cinco das mais comuns promessas de começo de ano. E você, qual resolução legal decidiu tomar? "Empenhadamente legaus"!

Parar de fumar. Hábito terrível; só traz malefícios. Pare já, pare neste exato instante! Sem falar que parar de fumar, além de fazer bem pra saúde, também faz para o bolso.


Dedicar mais tempo a família. Trabalhar é bom e só engrandece. Sem falar que é de onde se tira o dindim, né?! Mas de que adianta se você perde momentos maravilhosos ao lado de quem você ama?


Voltar a estudar. Seja aprender uma nova língua, fazer especialização, curso de culinária, corte e costura, não interessa. Estudar e se aprimorar é sempre legal. Faz bem demais pra cabeça!


Fazer exercícios. É sempre a velha história, a desculpa de falta de tempo, horário, blá-blá-blá e a atividade física vira lenda. Mexa-se! É sempre tempo de começar!


Cuidar da alimentação. Aqui também entra a clássica categoria "vou começar um regime". Independente de qual for o objetivo, saúde ou estética, é fundamental se alimentar de maneira correta e saudável. Não espere por uma segunda-feira, comece já!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ensinando Xixi e Cocô no Lugar Certo

Lord Cão News Edição #35 - Novembro/08
Escrito Por: Sandra Régia

Ensinar o cachorro a fazer xixi e cocô no lugar certo é uma das preocupações mais freqüentes dos donos de cães. Entretanto, o que muita gente não sabe é que existem diversos motivos para o cão não fazer as necessidades no local adequado. E, mais importante ainda, a maneira correta de treinar o peludo depende do quê está causando o problema.

Antes de mais nada é preciso entender que, para ter sucesso no treinamento de cães, é essencial saber como funciona a mente deles. O aprendizado dos cães é baseado em associações, feitas por meio de tentativas, erros e acertos. Uma associação que gera um resultado positivo e prazeroso para o cachorro fica fixada de forma intensa na memória, e tende a ser repetida até se tornar um hábito. Por exemplo, se ele ganhar um petisco todas as vezes que fizer xixi no lugar certo, vai tentar acertar cada vez mais. De forma contrária, uma associação que gera um resultado negativo para o cachorro tende a ser abandonada e esquecida. É por isso que o treinamento com recompensa (petisco, "muito bem", brinquedo ou carinho) é muito mais produtivo do que o treinamento com punição.

É importante frisar que a associação só acontece como desejado se a causa e o efeito distarem entre si de no máximo poucos segundos. Ou seja, só adianta recompensar ou reclamar com o cão durante ou logo imediatamente após o ato. Se passar mais tempo, o cachorro fará a associação (positiva ou negativa) com o próximo evento qualquer que vier a seguir. Em outras palavras, não adianta nada, absolutamente nada o dono brigar com o cachorro quando chega em casa e encontra um xixi no lugar errado. O cachorro vai associar a bronca com a chegada do dono e não com o xixi no tapete.

Nesse ponto do texto algumas pessoas podem estar pensando: "O meu cachorro sabe quando agiu errado, pois ele faz cara de culpa". Ou então: "O meu cachorro faz isso de propósito, para se vingar de mim". Nenhuma dessas afirmações é verdade. Em primeiro lugar porque os cães não têm noção de certo e errado, eles fazem o que fazem baseados em seus instintos. E em segundo lugar porque as emoções dos cães são muito mais básicas do que as nossas. Sendo assim, é correto afirmar que os cães sentem medo, dor (física ou emocional), lealdade e respeito, por exemplo. Mas não é certo dizer que eles demonstram sentimentos complexos (e na maioria das vezes negativos), como ciúme, culpa e vingança, tão típicos dos humanos.

O que é interpretado como culpa, na verdade é submissão, o cão simplesmente reage àquela postura do dono. O cachorro percebe quando o dono está com raiva e sabe que isso significa uma baita bronca, então tenta (inutilmente, tadinho) aplacar a ira do dono com uma postura submissa. Os cães são incrivelmente inteligentes, da maneira deles (é complicado comparar inteligências entre espécies diferentes). Eles aprendem a "ler" os humanos muito melhor do que nós mesmos sabemos, porque eles são bastante observadores. Diversos pequenos sinais que fazemos automaticamente, como franzir a testa e cerrar os punhos quando estamos com raiva, são um letreiro em neon para os cães. Eles aprendem em pouco tempo a associar os nossos gestos, posturas corporais e expressões faciais com as atitudes que tomamos em seguida, e simplesmente reagem de acordo.

De forma similar, a tão erroneamente famosa vingança é na realidade estresse ou dominância. As pessoas tendem a interpretar as reações dos bichos com base nos comportamentos dos humanos, e isso ocasiona uma abordagem completamente equivocada para o problema, causando frustração e desgastando o relacionamento entre o dono e o animal. Aquele xixi fora do lugar pode indicar que o peludo tem Ansiedade de Separação ou até que ele se acha o dono do pedaço. Sendo assim, vamos subdividir o assunto "xixi e cocô" em etapas e trabalhar cada uma delas individualmente, logo a seguir.

• XIXI DE FILHOTE

Um filhote de cachorro, assim como um bebê humano, não consegue segurar o xixi na bexiga e nem o cocô no intestino. Quando necessário, o organismo simplesmente libera o que tem de ser liberado, na hora que for. Para alívio dos donos, um filhote aprende muito mais rápido do que um bebê. Quando o filhote tem em média 6 meses de idade, ele normalmente já tem controle sobre as funções da bexiga e do intestino, ou seja, ele já percebe quando está "apertado" e precisando ir ao banheiro. Antes disso, alternadamente acertar e errar o local do xixi e do cocô é comum e faz parte do processo natural de aprendizagem para um filhote.

A maneira mais rápida de fazer com que um filhote guarde direitinho na memória onde é o local correto para fazer as necessidades é estar com ele o tempo todo. Essa é a regra mais importante quando se tem um filhote em casa: vigilância constante. Assim é possível evitar objetos roídos e xixis nos locais errados. Ninguém deixa uma criança pequena sozinha sem supervisão, deixa? Da mesma forma, um filhote nunca deveria ficar sozinho em locais onde ele possa se machucar e/ou estragar alguma coisa.

Quando o pequeno não puder ser vigiado por qualquer intervalo de tempo que seja, ele deverá ser colocado numa área segura (à prova de filhotes), ventilada, cercada e com boa parte do piso forrada com o mesmo material que o filhote deverá aprender a usar como banheiro (jornal, tapete higiênico, areia sanitária, etc.). Nessa área, o peludo deve ter sombra, proteção contra o vento, água limpa, uma caminha, muitos brinquedos e algumas coisas para roer. À medida em que ele for crescendo, o espaço reservado para o banheiro deverá ser reduzido aos poucos até um limite adequado ao porte do cão (é melhor sobrar do que faltar). O peludo nunca deve levar bronca nem ficar de castigo nessa área.

Se o dono (ou alguém da casa) se mantiver sempre atento a tudo o que o filhote estiver fazendo, ele vai poder levar o pequeno ao lugar adequado logo quando começar a "dança" típica do xixi e cocô. A não ser quando estão realmente muito "apertados", os cães sempre são umas voltinhas e umas cheiradinhas no chão antes de fazer as necessidades. Prestando atenção a esses sinais, o dono poderá levar o filhote a tempo para o local correto, lembrando de recompensá-lo pelo acerto com um petisco e um cafuné.

Além da "dança", outra dica é que os cães possuem um relógio biológico muito preciso e, sendo animais de rotina, preferem fazer tudo sempre nos mesmos horários. Os filhotes têm a bexiga pequenininha e, portanto, a quantidade de xixi que cabe lá dentro é mínima, por isso eles precisam se aliviar mais vezes do que os adultos. Mas, como regra geral, os cães fazem as necessidades num prazo de até 90 minutos depois de acordar, depois de comer e depois de se exercitar/brincar. Esses são os horários mais críticos, nos quais a vigilância deve ser rigorosa.

Vale lembrar mais uma vez que o importante é focar nos acertos e não nos erros. Se (e somente se) o dono pegar o filhote no flagra fazendo no lugar errado, ele pode falar "não, aí não", pegar o pequeno no colo e levá-lo para o local correto. Nesse local, o peludo deve então ser estimulado a continuar de onde parou, por meio de um tom de voz suave. Caso saia nem que seja um tiquinho de xixi ou de cocô, o filhote deve ser recompensado com muita festa.

• XIXI DE ESTRESSE

O mesmo problema do xixi de filhote pode acontecer também em cães mais velhos que já tinham até aprendido a fazer as necessidades no local correto, mas que de uma hora para outra estão passando por um estresse muito grande em suas vidas. Exemplos típicos são: mudança de casa, chegada de um outro animal, chegada de um bebê, ausência prolongada de um dos donos, etc.

Dependendo do cão, até a mais suave mudança na rotina pode ser suficiente para desencadear um retrocesso no aprendizado. A forma de se lidar com isso é retomando o treinamento básico e voltando a supervisionar o cachorro como se ele fosse um filhote. Eliminar ou pelo menos reduzir ao máximo a causa do estresse também ajuda. Se o dono investir no treinamento, normalmente o peludo não demora muito para retornar aos seus hábitos normais.

• XIXI DE ANSIEDADE DE SEPARAÇÃO

Esse é um outro tipo de xixi também causado por estresse. A diferença fundamental é que, nesse caso, o estresse não é uma situação isolada, e sim um fato constante na vida do pobre cachorro. Um peludo que acompanha o dono por todos os cantos da casa, como uma sombra, e que vive querendo colo o tempo todo, sofre muito quando precisa ficar sozinho. Ao contrário do que muita gente pensa, viver grudado nos donos não é nada saudável para o bicho, que pode terminar desenvolvendo Ansiedade de Separação.

Os cachorros que apresentam esse problema sofrem horrores sempre que os donos precisam se ausentar, seja por um dia inteiro ou por apenas alguns minutos (por não terem noção de tempo, eles não percebem a diferença). Os sintomas variam desde pequenos choramingos a verdadeiros escândalos sonoros, por vezes acompanhados de destruição da casa ou de si mesmos (lamber-se sem parar até causar feridas) e de muitos xixis nos lugares errados.

Um peludo com Ansiedade de Separação tem certeza absoluta de que o apocalipse está próximo e que se ele não fizer alguma coisa, e logo, o dono nunca mais vai conseguir resgatá-lo naquele labirinto de cômodos sem fim. Com esse intuito em mente, o coitado procura os lugares que sabe que o dono costuma freqüentar bastante, como o quarto ou a sala, torcendo para encontrar lá um xixi-recado do dono dizendo "volto já". Como não encontra nada, o peludo resolve deixar o seu próprio xixi-recado dizendo "não esqueça de mim". Então ele segue fazendo xixi no maior número de lugares possível, na esperança de que o dono consiga encontrá-lo assim que voltar.

A maneira de abordar esse problema é ensinando ao cachorro que às vezes ele vai precisar ficar sozinho, e que o mundo não vai se acabar por causa disso. O dono deve começar deixando o peludo sozinho por alguns poucos minutos e ir aumentando gradativamente até chegar em horas, mas sempre disponibilizando muitos brinquedos e ossos para entreter o cachorro. Jogos do tipo "esconder o petisco" são excelentes e o dono pode também guardar alguns brinquedos especiais para entregar somente nessas ocasiões. O treinamento deve ter início com o dono ainda em casa, mas em hipótese alguma o cachorro deve receber atenção se começar a fazer escândalo.

• XIXI DE SUBMISSÃO

Esse tipo de problema é comum em cães jovens e/ou inseguros, e se apresenta como aquele xixi que o cachorro faz quando vê alguém de quem gosta e respeita muito. Às vezes a demonstração é de forma eufórica, com excesso de entusiasmo. Às vezes é bastante comedida, com excesso de formalidade. De um jeito ou de outro, esse tipo de xixi é um gesto de submissão muito cordial no mundo dos cães, uma comprovação dos bons modos ensinados na escola de etiqueta canina. Em outras palavras, é um sinal de que o cachorro aceita a liderança da pessoa em questão.

Normalmente esse tipo de comportamento vai diminuindo aos poucos até acabar por completo, à medida que o peludo vai crescendo e sentindo mais confiança em si mesmo e no novo ambiente. A melhor maneira de lidar com isso é simplesmente ignorando o fato, sem brigar e também sem tentar confortar o cachorro dizendo coisas do tipo "está tudo bem".

Os cães muito inseguros às vezes sentem medo quando alguém se aproxima deles, e o medo é uma das causas do xixi de submissão. Para evitar isso, o ideal é deixar o peludo no cantinho dele sossegado e esperar que ele próprio tome a iniciativa de se aproximar. Quando isso acontecer, a pessoa não deve fazer movimentos bruscos, deve se abaixar para ficar menos intimidadora, não deve olhar a cachorro diretamente nos olhos e deve procurar falar com ele num tom de voz calmo.

Assim que o peludo tiver tomado as vacinas e estiver liberado pelo veterinário para sair na rua, é fundamental começar a passear com ele, inicialmente em locais bem calmos, para que ele possa conhecer novos lugares, pessoas de todos os tipos, outros animais, sons, cheiros e superfícies os mais variados possíveis. Isso é um excelente exercício para aumentar a autoconfiança, além de ser extremamente necessário para a saúde física e mental de todo e qualquer cachorro.

• XIXI DE MARCAÇÃO DE TERRITÓRIO

Quando um cachorro entra na adolescência, por volta dos 8 meses de idade, ele pode começar a desafiar os donos e a infringir as regras, exatamente como fazem alguns adolescentes humanos. E não há forma melhor de se rebelar do que desrespeitar a hierarquia vigente, correto? Para um cão isso significa, dentre outras coisas, marcar território dentro de casa, ou seja, fazer xixi e cocô em cantos estratégicos e bem visíveis. Funciona como aquela pichação do tipo "eu estive aqui".

A adolescência é marcada pelo afloramento dos hormônios e também coincide com a época em que o peludo começa a fazer xixi com a pata levantada. Os cães que marcam território têm a habilidade de guardar uma parcela do xixi no "tanque" reserva. O xixi de necessidade fisiológica é diferente do xixi de marcação de território. O de necessidade fisiológica é liberado de uma vez só, com intervalos grandes entre um e outro. O de marcação de território é liberado muitas vezes, com intervalos curtos entre um e outro, objetivando abranger o maior número de lugares possível. A marcação de território é mais comum nos machos, mas as fêmeas também podem apresentar esse comportamento, algumas até de pata levantada, igualzinho aos machos.

Para resolver esse problema, é preciso antes de tudo que o dono mostre quem é que manda na casa (claro que não é o cachorro!). O peludo precisa entender que só quem tem direito de marcar território dentro de casa é o dono, pois é o território dele. Isso é obtido através de um conjunto de fatores, dentre eles treinar comandos de obediência (senta, deita, fica, junto, etc.), para que o cão possa obedecer sempre antes de ganhar qualquer coisa (comida, carinho, passeio, etc.).

Outro ponto importante é que tudo, absolutamente tudo o que diz respeito aos humanos precisa obedecer às três regrinhas básicas da hierarquia: "Eu ganho primeiro", "Eu vou na frente" e "Eu fico mais alto". Em outras palavras, significa que sempre os humanos comem primeiro, andam na frente, sentam e deitam em posições mais altas. Dividir esses privilégios com o cachorro significa dividir o poder da liderança também, incluindo todas as conseqüências decorrentes disso.

Uma alternativa que pode ajudar bastante no problema da marcação de território é a castração. Ao contrário do que muitos pensam, essa cirurgia traz inúmeros benefícios para a saúde e para o comportamento do cachorro, tanto para o macho quanto para a fêmea. Os animais castrados têm menos chances de desenvolver certos tipos de câncer, costumam ser menos agressivos, brigam menos com outros cães e vivem mais.

• XIXI DE INCONTINÊNCIA URINÁRIA

Da mesma forma que acontece com nós humanos, alguns cães quando chegam na terceira idade passam a sofrer de incontinência urinária. Nesse caso não há muito o que fazer, pois não é culpa do cachorro nem é um problema para o qual ele possa ser treinado. É preciso ter muita paciência com o peludo e é necessário aceitar que a incontinência pode fazer parte do processo natural de envelhecimento do companheiro canino. O recomendável é tornar a vida do cão a mais agradável possível, sempre disponibilizando uma superfície absorvente para ele dormir em cima.

Outra causa para a incontinência, apesar de rara, pode acontecer em certas fêmeas castradas, caso haja alguma aderência na parede da bexiga. À critério do veterinário, essas fêmeas podem ser medicadas com hormônios para amenizar o problema, mas em geral a maneira de lidar com o assunto é a mesma que no caso da incontinência por idade.

• XIXI POR OUTROS MOTIVOS

Quando o cachorro começa a fazer xixi ou cocô no lugar errado de uma hora para outra (o fator "de uma hora para outra" é muito importante para avaliar corretamente a situação), e o problema não se enquadra em nenhuma das opções acima, pode ser então um sinal de que alguma coisa está errada. Um cachorro que pára de fazer as necessidades também merece atenção. Um dos primeiros sintomas de problemas de saúde é uma mudança brusca no comportamento rotineiro. Nesses casos é importante levar o peludo o quanto antes ao veterinário, para que sejam feitos os exames necessários.

Alguns outros motivos podem vir a dificultar muito o treinamento de xixi e cocô. Quando o filhote é retirado muito cedo da companhia da mãe e dos irmãos, por exemplo. Para aprender as regras caninas, incluindo as noções básicas de higiene, um filhote precisa permanecer na ninhada até completar pelo menos 7 ou 8 semanas de vida, ou seja, 50 a 60 dias. Outro exemplo é quando a própria cadela não aprendeu as regras e, portanto, não sabe passá-las para os filhotes. Por isso é tão importante ver as condições de higiene nas quais os filhotes nasceram e foram criados. Além desses aspectos, vale mencionar também que certas raças simplesmente demoram mais do que outras para aprender onde fica o banheiro.
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Independe do que estiver causando o xixi ou cocô no lugar errado, é importante limpar esses locais muito bem, para minimizar as chances de reincidência causada por cheirinhos antigos. Os produtos normalmente encontrados em pet shops são suficientes até o limite do nosso olfato, mas estão longe de eliminar os odores para o apuradíssimo olfato dos cachorros. Uma analogia interessante é se uma pessoa suada resolvesse colocar perfume por cima, sem antes tomar um bom banho. Seria possível sentir o cheiro do suor misturado ao cheiro do perfume, não é mesmo? Raciocínio idêntico pode ser aplicado quando desinfetantes, água sanitária, vinagre ou similares são usados para limpar os locais errados onde o peludo fez as necessidades. Todos esses produtos apenas encobrem os odores, sem no entanto removê-los. Por causa disso, o cachorro volta a fazer xixi e cocô nesses mesmos lugares, guiado pelos cheiros dos xixis e cocôs antigos que continuam lá.

Para eliminar completamente os cheirinhos de urina e fezes dos lugares impróprios, a solução é usar removedores de odores à base de bactérias inofensivas (exemplo: Enzilimp) ou de enzimas (exemplo: Premium da Mundo Animal). Esses produtos funcionam porque destroem as moléculas que causam os odores, eliminando-os por completo. Os locais se tornam novamente neutros, ou seja, sem cheiros que atraiam o peludo a voltar lá. Para aumentar ainda mais a eficácia do processo, o ideal é aplicar em seguida um repelente do tipo líquido (exemplo: Repell Pet) ou do tipo granulado se for numa área externa com plantas (exemplo: No Dog & No Cat da Minato). O repelente fará os locais neutros serem desagradáveis para o cachorro. Todas as marcas citadas podem ser encontradas à venda no site da BitCão, a loja virtual da Lord Cão - Treinamento de Cães.

Escrito por:
Sandra Régia - 2008
Treinadora Especialista em Comportamento Canino
Lord Cão - Treinamento de Cães Ltda.
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Fones: (81) 3341-1472 ou (81) 9994-5631
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(Este artigo está registrado na Biblioteca Nacional e tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução desde que sejam colocados os créditos de autoria e um link para www.lordcao.com.br).

UPDADE: Uma pequena parte do artigo foi publicada na Revista Vida & Arte número 45 de outubro de 2008. Cliquem nas imagens para ampliar.



sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Cães e crianças - Lord Cão no Bom Dia Brasil

Eu fui entrevistada pela TV Globo para uma reportagem sobre cães e crianças que foi ao ar no Bom Dia Brasil, edição de 10/10/2008 e no NETV 1ª e 2ª edições, também de 10/10/2008.

Bichinhos de estimação estão entre os presentes preferidos da criançada. Eles preferem o videogame; elas, a boneca estilosa. É o Dia das Crianças que está chegando. Mas, para muitos pequenos, presente bom mesmo, só se for de estimação.

Gabriel já escolheu o presente do Dia das Crianças. “Meu gordinho, fofinho”, diz ele.

Ganhar um cachorrinho também é o sonho de Luise. Ela quer o filhote mais do que qualquer brinquedo. “Ele é bonito e bem brincalhão”, explica a menina.

Os insistentes pedidos da meninada funcionam nesta época. “Os pais vêm para cá, as crianças começam a pedir e eles sensivelmente terão que atender os filhos”, afirma o expositor Alexandre Araújo.

É mesmo difícil resistir a tantas carinhas diferentes e ao jeito sapeca e brincalhão dos filhotes. É cada vez maior o número de crianças e adultos que têm um amigo bicho: são pelo menos 29 milhões de cães e 14 milhões de gatos, de todos os tamanhos, raças e temperamentos, morando nos lares brasileiros.

Segundo o IBGE, 60% das famílias têm um animalzinho de estimação. Na hora de escolher, é bom levar em conta o animal que mais se adapta ao novo dono. Se a criança for muito pequena...

“Para a criança muito pequena, não é indicado pegar um cachorro muito pequeno também, porque o cachorro não tem paciência com a criança e não agüenta as brincadeiras. Para criança pequena, sempre pegar um cachorro de médio porte”, ensina a treinadora de animais Sandra Régia.

A treinadora e especialista em comportamento animal também ensina: “Se vai passar muitas horas sozinho, pega um cachorro que tenha uma energia um pouco menor, um cachorro que não vá demandar tanto tempo do dono e que ele saiba ser uma raça mais independente”.

A psicóloga Fábia Siqueira é totalmente favorável à convivência das crianças com os bichos de estimação. Ela diz que os pequenos têm muito a ganhar: “Dá a possibilidade dessa troca de afeto e é um amor incondicional. A criança trabalha o amor incondicional a esse animal e vice-versa”.

Tainá e Schummy, uma dupla agitada (são meus clientes da Franquia Lord Cão no Recife/PE). O cachorro é a alegria da menina de 10 anos, filha única, que reclamava da falta de uma companhia para brincar. Tainá também passou a ter mais responsabilidade.

“Eu tenho que cuidar dele. Eu brinco com ele, faço um monte de coisa”, conta.

O sucesso de Schummy é tão grande que ele entrou para a família e é disputado pelos donos. “O cachorro é meu”, diz o pai.

“É meu”, contesta a mãe.

“É meu”, garante a menina.

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